Dezenas de funcionários terceirizados no aeroporto de SJP começam 2020 desempregados


Útil Assessoria e Locação de Mão de Obra não acertou salário de dezembro. Nova empresa assumiu serviço de limpeza do Afonso Pena depois que Infraero cancelou contrato.

Blog Single Trabalhadores da Útil foram reivindicar direitos junto à Infraero ontem (06)
A passagem de fim de ano foi sentimento de tristeza para dezenas de funcionários contratados desde outubro de 2018 pela Útil Assessoria e Terceirização de Locação de Mão de Obra, empresa com sede em Goiás, para limpar o Aeroporto Internacional Afonso Pena, em São José dos Pinhais. Quando chegaram para o serviço de limpeza dia 15 de dezembro, cerca de 100 trabalhadores souberam que estavam demitidos. Alguns, foram recontratados em caráter emergencial pela Real JG Serviços Gerais Eireli, mas cerca de 40 ainda não receberam o salário de dezembro, a rescisão de contrato e demais direitos.

Regularmente, a estação aeroportuária são-joseense é a primeira na lista anual intitulada Melhor do Brasil na Pesquisa de Satisfação do Passageiro e de Desempenho, do Ministério dos Transportes, Portos e Aviação Civil e, curiosamente, a limpeza é um dos itens que dá muitos pontos ao aeroporto em votação pelos passageiros.

Segundo a Infraero, o Afonso Pena movimenta, diariamente, média de 20.100 passageiros, 210 voos e 81.327 kg de carga aérea. Os funcionários das empresas que operam o sistema aeroportuário representam uma população fixa de 6.235 pessoas, sem contar milhares de pessoas que vão ao aeroporto levar e receber os passageiros, além de postos de trabalho em manutenção, entrega e outras ocupações.

Ontem (06) de manhã, vários ex-empregados foram falar com a direção da Infraero. “Parece que na licitação consta um seguro a ser usado neste tipo de caso, mas a Infraero e a empresa não estão se acertando. Ficamos sem salário de dezembro e começamos o ano sem definição da nossa situação”, queixa-se Angela dos Santos Sousa, moradora no bairro Guatupê, contratada desde outubro de 2018.

Também morador do Guatupê, Jorge da Silva Vieira foi outro profissional de asseio e conservação que passou o réveillon sem pagamento. “A gente veio aqui para entender o que está acontecendo. Ser dispensado do nada e ainda sem salário é muito ruim”, falou Jorge Vieira, na empresa Útil há dez meses.

O diretor de Assuntos Sindicais do Sindicato dos Empregados em Empresas de Asseio e Conservação (Siemaco – Paraná), Rafael Geronimo, disse que a entidade está diretamente envolvida como ponte entre a empresa que teve o contrato cancelado com a Infraero e a instituição aeroportuária. “Pelas reuniões que tivemos ao fim de 2019 e já nestes primeiros dias de 2020, acredito que o pagamento e rescisões serão acertadas em breve. Se a empresa informar à Infraero os valores salariais e rescisões, a Infraero pode repassar o que é de direito aos ex-funcionários da Útil”, projeta Rafael Geronimo.

A Infraero, via nota do departamento de Comunicação em Brasília, respondeu que todos os aeroportos da rede têm contratos com empresas terceirizadas de limpeza e conservação, na contratação em processo licitatório, cujas informações são publicadas no Diário Oficial da União e no site da Infraero. E que o superintendente do Aeroporto Afonso Pena, Antonio Pallu está em contato no que for de competência da Infraero, para “proceder com todas as ações possíveis para a regularização da situação em questão, respeitando os processos legais, contratuais e créditos devidos à empresa que teve seu contrato rescindido”, diz a nota.

A reportagem procurou a Útil Assessoria e Terceirização de Locação de Mão de Obra, mas não conseguiu telefone fixo, site ou outro meio de contato com a empresa até o momento de produção da matéria.

PautaSJP.com

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